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Até quando vamos aceitar a opressão? Até quando o poder coercitivo vai agir sobre nós sem nenhuma trégua? Até quando as forças armadas vão agir sobre quem não possui nenhuma arma? Até quando a Polícia vai humilhar ao invés de defender?
Mais uma vez estou aqui para relatar um caso de excesso da nossa segurança pública. Em uma noite fresca e estrelada de sábado, me encontrava na praça Roosevelt, centro de São Paulo, comemorando o aniversário de uma amiga psicóloga que gosta de uma cerveja bem gelada, quando comecei a ouvir uma aglomeração gritando: Covardia! Covardia! Não entendi muito bem o motivo, pois de onde estava não conseguia ver muita coisa. A aglomeração só aumentava, quando eu resolvi saber o que estava acontecendo, pois notei que todo o efetivo da praça estava se dirigindo ao lugar da confusão. Quando me aproximei, vi que se tratava de um músico que havia sido detido por estar tocando seu saxofone na praça, ás 22:30 da noite. A princípio, achei que o músico só tivesse sido abordado e notificado, já que por ser uma área basicamente residencial, o horário era impróprio para barulho. Pois bem. Isso é o que deveria acontece na teoria… Na prática, o músico foi abordado pelos policiais, teve seu instrumento apreendido e foi detido por perturbação da ordem. Essas informações eu recebi praticamente no mesmo minuto que me aproximei da aglomeração. Decidi então sair do meio da confusão, e acabei me aproximando ainda mais dos policiais e do músico. Nesse momento, percebi o quanto estamos inseguros, abandonados, expostos á violência e ao descaso. Percebi como somos usados para financiar o crescimento de certas instituições que se aproveitam de momentos como esse para “mostrar serviço”. O músico deveria ter por volta dos seus 35, 40 anos. Estava de camiseta, bermuda e chinelo….. Sim, ele estava de chinelo. A sua aparência era um tanto simples e sem dúvida alguma estava desarmado. Estava com a aparência meio desleixada e até um pouco suja, e pedia para que os policiais não o levassem preso. Já havia entendido que não era permitido tocar ali. Nesse momento, fiz um comentário que gerou o fato que aumentou ainda mais a minha indignação naquele momento. Eu disse a uma amiga: Olhe esse rapaz e olhe quantas armas e quantos policiais estão em volta dele! Sim… Havia mais ou menos uns 20 policiais para proteger a população de um músico com seu saxofone assassino. Todos os policiais estavam armados, já que é o material de trabalho deles, porém, desses 20, 5 estavam fortemente armados, com fuzil. Sim. Estavam cercando o homem com um fuzil. Um músico, na praça, de chinelo, com fuzil. Quando fiz esse comentário, o policial muito sarcástico, me olhou e disse: “Minha Senhora, esse é o meu trabalho. Você trabalha?” Respondi: “Sim! É claro!” Disse a ele que eu era jornalista e que utilizava a internet como meu material de trabalho. Utilizava as palavras. As notícias. Os fatos. Ele disse que aquele era o trabalho dele e que estava atendendo um chamado. Pois bem. Chamado de quem? No meio da praça Roosevelt, quem se incomodou com um músico tocando saxofone? O policial disse também que era necessário aquele tipo de abordagem e eu perguntei se era comum agir assim com qualquer pessoa desarmada. Outros policiais se envolveram no assunto, gritando e pedindo para que nós, as pessoas indignadas com a atitude arbitrária daqueles que deveriam estar sendo úteis nas ruas, parássemos de “se meter” no que não éramos chamados. E é isso mesmo que fazemos. Nós não nos metemos no que não somos chamados. Mas quem disse que não podemos? O homem foi preso. E, junto com ele, mais duas pessoas, que foram autuadas por desacato à autoridade.Uma dessas pessoas poderia ser eu, que também defendi o músico. Eu também quis saber porque e para que ele estava sendo levado. Eu também questionei a atitude daqueles policiais. Mas quem sou eu? Quem são essas pessoas que também foram presas? Até quando essa falta de respeito vai existir com a população? Nesse momento, enquanto um efetivo de 20 policiais armados cercavam um músico devido ao barulho, 3 pessoas foram assaltadas na Rua da Consolação, que fica a 50 metros do local onde estávamos. E essas pessoas, quem irá defender?

A praça não é da Polícia. A praça não é do síndico dos prédios ao entorno. A praça é do povo.

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Sub prefeitura decide tirar skatistas da Praça após 22:00

-E.

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