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mês

setembro 2015

Não é só mais um Chororô

dh_13maio
Quem nunca ouviu a frase: “Ah, lá vem ele reclamar de preconceito racial!” ?
Constantemente somos bombardeados com situações de preconceito, seja racial, sexual ou de gênero. Isso está enraizado na cultura brasileira. O diferente sofre. A minoria apanha. Mas quem disse que o negro é minoria? Não somos um país com uma raça determinada. Não existe mais a miscigenação. Nós somos a miscigenação. Olhe pro lado e analise como somos todos diferentes. Não há mais raça pura, principalmente em um lugar como o Brasil. Como São Paulo. Hoje quem nasce negro, provem de uma ascendência branca e quem nasce branco, provem de uma ascendência negra. Qual é o motivo de tanta discussão então? É o preconceito. Não é mais um chororô. Não é mais uma reclamação de minoria. Sou mulher. Tenho 26 anos. Ensino médio completo e cursando a segunda graduação. Na minha certidão de nascimento consta cor Parda. Não sou Parda. Nem sou negra. Muito menos branca. Não tenho uma definição de cor. Todos me chamam de morena. Acontece que mesmo assim, foi necessário que eu enviasse uma foto para uma empresa em Joinville, para que eles liberassem a minha entrada. É proibida a entrada de negros. Quando alguém necessita fazer uma visita a empresa, é pedido todas as informações relacionadas à pessoa, para que seja liberada a entrada na empresa. Negros não podem entrar nas dependências da empresa sem que sejam revistados. (ACREDITE!). Por umas três ou quatro vezes fui seguida dentro de lojas, por não seguir o “padrão Daslu” de ser. Em uma dessas vezes, estava em uma farmácia, em um shopping na zona leste de São Paulo. Parei em um dos corredores e estava escolhendo um desodorante, quando meu celular tocou. Encostei na prateleira e comecei a responder a mensagem que haviam me mandado, quando olhei para o lado e notei uma funcionária da loja me observando. Agi como se nada estivesse acontecendo e continuei a responder a mensagem. Ao terminar, escolhi o produto e passei a andar entre os corredores para ver o que mais iria acontecer. No mesmo momento a funcionária me seguiu e passou a andar atrás de mim, achando que estava disfarçada, vigiando os produtos que eu pegava e se eu os devolvia para a prateleira. Até que me incomodei muito com a situação e perguntei se estava acontecendo alguma coisa. Ela me disse que não e que só estava conferindo os materiais. Disse a ela que sabia que ela estava me seguindo e perguntei o motivo. Ela ficou extremamente desconfortável, pediu desculpas e se retirou. Eu não comprei na loja, mas isso não muda e nem mudará esse tipo de atitude. Isso foi apenas uma das tantas situações que já passei ou presenciei. Já fui vítima de preconceito racial inúmeras vezes em lojas, já fui vítima de preconceito por classe, por morar na periferia da Zona Leste. Infelizmente esse tipo de atitude é treinada e é alimentada. Já presenciei negros sendo proibidos de entrar em bancos, até que tirassem boné, blusa de moletom e deixasse a mochila do lado de fora. Já vi negros sendo abordados pela polícia, simplesmente por estarem na rua após as 23:00. O negro é desfavorecido na sociedade. E o negro pobre é invisível. As minhas roupas não podem descrever o meu caráter e a minha cor também não. Nossa cor de pele não define quem somos, o que queremos. Quando um negro de moletom entra em um ônibus, aos mãos brancas (e até negras também) vão esconder o celular, o ipod. Quando um negro faz sinal para um táxi ás 00:30 de uma sexta feira, o veículo não para, mas a viatura sim. E é isso que tem mudar. Isso é uma doença. Só é aceita a miscigenação que clareia a pele. A que escurece não é bem vista. Só é aceito o negro americano, aquele que joga basquete, aquele que vira presidente. O negro da COHAB, que joga futebol no campinho de terra e carrega caixas na feira não é aceito. Analise. Conte quantos negros estão sentados nos bancos da sua faculdade, quantos negros estão formados e exercendo uma profissão. A questão não são as cotas para negros… A questão é a sociedade! Enquanto essa sociedade considerada moderna não aprender que somos todos iguais, que não é a cor que nos define, que não é o seu bairro, que não é a sua roupa, seremos eternos ignorantes, que culpa a mulher pelo estupro, a vítima pelo assalto e o negro por ser negro.

Veja mais críticas em: Emicida fala sobre a miscigenação no Altas Horas

-E.

Até Quando?

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Até quando vamos aceitar a opressão? Até quando o poder coercitivo vai agir sobre nós sem nenhuma trégua? Até quando as forças armadas vão agir sobre quem não possui nenhuma arma? Até quando a Polícia vai humilhar ao invés de defender?
Mais uma vez estou aqui para relatar um caso de excesso da nossa segurança pública. Em uma noite fresca e estrelada de sábado, me encontrava na praça Roosevelt, centro de São Paulo, comemorando o aniversário de uma amiga psicóloga que gosta de uma cerveja bem gelada, quando comecei a ouvir uma aglomeração gritando: Covardia! Covardia! Não entendi muito bem o motivo, pois de onde estava não conseguia ver muita coisa. A aglomeração só aumentava, quando eu resolvi saber o que estava acontecendo, pois notei que todo o efetivo da praça estava se dirigindo ao lugar da confusão. Quando me aproximei, vi que se tratava de um músico que havia sido detido por estar tocando seu saxofone na praça, ás 22:30 da noite. A princípio, achei que o músico só tivesse sido abordado e notificado, já que por ser uma área basicamente residencial, o horário era impróprio para barulho. Pois bem. Isso é o que deveria acontece na teoria… Na prática, o músico foi abordado pelos policiais, teve seu instrumento apreendido e foi detido por perturbação da ordem. Essas informações eu recebi praticamente no mesmo minuto que me aproximei da aglomeração. Decidi então sair do meio da confusão, e acabei me aproximando ainda mais dos policiais e do músico. Nesse momento, percebi o quanto estamos inseguros, abandonados, expostos á violência e ao descaso. Percebi como somos usados para financiar o crescimento de certas instituições que se aproveitam de momentos como esse para “mostrar serviço”. O músico deveria ter por volta dos seus 35, 40 anos. Estava de camiseta, bermuda e chinelo….. Sim, ele estava de chinelo. A sua aparência era um tanto simples e sem dúvida alguma estava desarmado. Estava com a aparência meio desleixada e até um pouco suja, e pedia para que os policiais não o levassem preso. Já havia entendido que não era permitido tocar ali. Nesse momento, fiz um comentário que gerou o fato que aumentou ainda mais a minha indignação naquele momento. Eu disse a uma amiga: Olhe esse rapaz e olhe quantas armas e quantos policiais estão em volta dele! Sim… Havia mais ou menos uns 20 policiais para proteger a população de um músico com seu saxofone assassino. Todos os policiais estavam armados, já que é o material de trabalho deles, porém, desses 20, 5 estavam fortemente armados, com fuzil. Sim. Estavam cercando o homem com um fuzil. Um músico, na praça, de chinelo, com fuzil. Quando fiz esse comentário, o policial muito sarcástico, me olhou e disse: “Minha Senhora, esse é o meu trabalho. Você trabalha?” Respondi: “Sim! É claro!” Disse a ele que eu era jornalista e que utilizava a internet como meu material de trabalho. Utilizava as palavras. As notícias. Os fatos. Ele disse que aquele era o trabalho dele e que estava atendendo um chamado. Pois bem. Chamado de quem? No meio da praça Roosevelt, quem se incomodou com um músico tocando saxofone? O policial disse também que era necessário aquele tipo de abordagem e eu perguntei se era comum agir assim com qualquer pessoa desarmada. Outros policiais se envolveram no assunto, gritando e pedindo para que nós, as pessoas indignadas com a atitude arbitrária daqueles que deveriam estar sendo úteis nas ruas, parássemos de “se meter” no que não éramos chamados. E é isso mesmo que fazemos. Nós não nos metemos no que não somos chamados. Mas quem disse que não podemos? O homem foi preso. E, junto com ele, mais duas pessoas, que foram autuadas por desacato à autoridade.Uma dessas pessoas poderia ser eu, que também defendi o músico. Eu também quis saber porque e para que ele estava sendo levado. Eu também questionei a atitude daqueles policiais. Mas quem sou eu? Quem são essas pessoas que também foram presas? Até quando essa falta de respeito vai existir com a população? Nesse momento, enquanto um efetivo de 20 policiais armados cercavam um músico devido ao barulho, 3 pessoas foram assaltadas na Rua da Consolação, que fica a 50 metros do local onde estávamos. E essas pessoas, quem irá defender?

A praça não é da Polícia. A praça não é do síndico dos prédios ao entorno. A praça é do povo.

Veja outras reportagens sobre a ação da Polìcia Militar e GCM na prava Roosevelt:  De quem é a Praça Roosevelt

Sub prefeitura decide tirar skatistas da Praça após 22:00

-E.

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